Drepanocitose
As hemácias passam a ter forma de foice ( anemia falciforme).
Nesta doença. o aminoácido ácido glutâmico ( é
o sexto AA da cadeia beta da HbA) está substituído pela valina,
devido ao erro do DNA, onde a timina é trocada por adenina.
Doença de negros. Os sintomas
começam a aparecer com mais ou menos 1 ano de idade, quando há
prevalência da HbA em relação às outras Hb's. Sem
relação com sexo.
A HbS protege contra malária,
pois o defeito na hemácia não favorece o alojamento para o merozoíto.
Patogenia - A Hb mutante
( chamada de Hb S) fica instável, não suporta modificações
físicas e forma cristais. A solubilidade diminuída da forma
desóxi da Hb resulta na formação de uma rede gelatinosa
de polímeros, chamada de tactóides, que enrigece e distorce
as hemácias, que atravessam vasos sangüíneos com dificuldade.
A hemácia se dobra e se modela em forma de drépano, foice ( drepanócito),
( falcização). Tem muita facilidade de formar trombos, devido
à dificuldade para passar pelos vasos, e pelo aumento da viscosidade
sangüínea ( que também favorece à fagocitose de eritrócitos).
Com a tromboembolização de regiões do corpo, as hemácias
ficam mais desoxigenadas em certas regiões, e isso predispõem
a falcização, como foi dito acima - Esse processo se chama retroalimentação.
Os micro-trombos que se formam na circulação
e na microcirculação vão provocar isquemia e até
necrose de regiões. Há calcificação distrófica
das regiões necrotizadas.
Quadro clínico e evolução
Quando surge icterícia,esta é
intensa,com bilirrubina acima de 6 mg% (o normal é até 1 mg%).
A icterícia é devido a hemólise
crônica ou a cálculos biliares pigmentados.
Nos homozigotos é comum entre 1 e 2 anos de idade ocorrer o trágico
"seqüetro esplênico", uma forma aguda fatal da doença.
Há uma retenção grande de hemácias no baço
( com esplenomegalia), sendo hemolisadas agudamente levando a uma rápida
queda do nível de Hb no sangue. Surge icterícia, anemia grave,
que pode levar ao coma e a morte. Em 2 horas, 90% das hemácias podem
ser destruídas. O tratamento é a hemotransfusão imediata.
Os repetidos episódios de infarto esplênico ( pelo tromboembolismo
de artérias terminais do baço) fazem com que o baço fique
cheio de partes fibrosadas e calcificadas, atrofiando o baço, reduzindo
muito o seu tamanho - é a auto-esplenectomia. Por isso o baço
na drepanocitose costuma não ser palpável , porém na infância
este processo ainda está ocorrendo, portanto sobressai a hemólise
e hiperesplenismo com esplenomegalia.
Além dos sinais
clássicos da anemia ( citados no começo da matéria), podem
se observar úlceras na perna, episódios repetidos de infarto pulmonar
e síndrome tóracica aguda ( febre, dor torácia e infiltrados
pulmonares). Podem surgir ICC e Infarto M.
A obstrução
de vasos retinianos pode provocar hemorragia, fibrose, descolamento da retina
e cegueira.
Pode surgir AVC, também em crianças,
que pode deixar seqüelas pra sempre.
Entre a quarta e quinta década de
vida, a causa de morte costuma ser por Insuf. renal ou pulmonar.
Crise aguda - crise
dolorosa de infarto - O paciente tem muita dor óssea devido a calcificações
na diáfise do osso. A dor é lancinante, forte, só cessa
com analgésicos potentes. A dor esquelética intensa pode permanecer
por vários dias, até por semanas. A febre é comum ocorrer
associado a essa crise. Pode haver necrose da cabeça do fêmur.
No raio-x observa-se osteoporose
e formação de trabeculações ósseas ( osso
em escova). Crescimento anômalo dos artelhos. Há deficiência
no desenvolvimento corporal e sexual do indivíduo ( alteração
da pubarca).
Quadro laboratorial
Hemoglobina baixa, leucocitose (costumam
estar elevados, entre 12 e 15 mil), drepanócitos. Pode-se encontrar trombocitose.
Bilirrubina indireta pode estar elevada (pela hemólise).
Sinais de anemia hemolítica crônica,
como hiperreticulocitose, eritroblastose, policromatofilia e poiquilocitose
( macrocitose e CHCM alto).
Eletroforese detecta HbSS (homozigoto) ou
HbAS ( heterozigoto) - traços falciformes ( doença mais branda).Obs.:
eletroforese só detecta após 6 meses à 1 ano de vida.
Pode haver associação de
HbS com talassemia
TRATAMENTO
Nenhum tratamento está disponível para a doença primária.
Paciente são mantidos com suplementação de ácido
fólico. São realizadas transfusões para crises hemolíticas
ou aplásticas. Vacina contra pneumococo reduz a incidência de infecções.
Quando episódios agudos ocorrem, fatores precipitantes devem ser identificados
e infecções tratadas se presente. O paciente deve ser mantido
bem hidratado, e deve ser feita oxigenoterapia em caso de hipoxia.
Oclusão aguda vascular deve ser tratada com transfusão. Isto
está indicado primariamente nos casos de priapismo, crises de dor intratável
, e derrame ( AVC).
Hidroxiuréia ( 500-750 mg/d) reduz a freqüência das crises
dolorosas e é agora indicada em pacientes cujo qualidade de vida é
prejudicada pela freqüência de crises dolorosas.
Transplante alogênico de medula está sendo estudado como uma
uma possível opção curativa para pacientes jovens severamente
afetados.

