HEMATOLOGIA página 7
 
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Autor: Manoel Carlos M. Motta Junior , acadêmico de medicina da EMESCAM, Vitória-ES.  Entrar em contato.

 

LEUCEMIA

 

 

Conceito : Síndromes mieloproliferativas, também chamadas de leucoses . São patologias que acometem a medula óssea e se caracterizam pela proliferação medular anárquica, progressiva no tempo e no espaço ( neoplasia), podendo acometer as linhagens mielóides ( eritrócitos, granulócitos e plaquetas), ou linhagem linfóide, sempre alterando o sangue periférico, ainda que tais células neoplásicas não sejam encontradas no sangue periférico.É um câncer agressivo e muitas vezes fatal.

Obs. Linfomas diferem de leucemia por acometer a linhagem linforeticulo-histiocitária ( dentro da rede de drenagm linfática), podendo acometer em muitos e muitos locais do organismo.

 

Classificação ( de forma didática)

Regra - formas agudas: predominam células imaturas ( blastos), formas crônicas: predominam céls. maduras

Linhagem Agudas Crônicas
Mielóide/granulocítica

Leucemia mielóide aguda ( LMA)

 ou Leucemia mieloblástica 

LMC

 ou L. mielocítica

Granunolocítica

Leucemia promielocítica (LPM)

Linfóide

Leucemia linfocítica aguda

ou Leucemia linfoblástica

Leucemia linfocítica crônica ( LLC)
Megacariócitos Leucemia de céls. megacariocíticas Trombocitemia
Mielomonocítica Leucemia mielomonocítica aguda  ( LMMA) ou leucose mielomonocitoblástica LMMC ou leucose monocítica.
Eritróide Eritroleucemia aguda Policitemia Vera

 

L.Mielóide Aguda ( LMA):

  • Incidência : Pico de incid. entre 40-60 anos, proporção homem/mulher de 3:2. É a forma mais frequente no adulto.
  • Raro acima dos 80 anos. Ocorre em 2,3 hab/100.000 por ano.

  • Etiologia - Pode ser devido a:
      Exposição à : radiação (explosões de bombas atômicas, radioterapia, etc), subst. químicas ( benzeno, borracha, fumo, tintas, derivados do petróleo, óxido de etileno, pesticidas, herbicidas), fármacos (cloranfenicol,quimioterapia do câncer, fenilbutazona, cloroquina, agentes alquilantes).
      Hereditariedade - neurofibromatose; síndrome de klinefelter ( XXY); síndrome de Down, síndrome de Patau, anemia de Fanconi, síndrome de Kostamann e de Bloom.

      Outros: Mielodisplasias; policitemia vera; LMC
  • EXAMES

    1. Estudo na Medula óssea:
        Proliferação mieloblásticas ( intensa infiltração de blastos). A LMA é diagnosticada pela presença de no mínimo 30% de blastos e coloração Sudan negro, PAS, ou peroxidase positivas no aspirado de medula óssea (é negativo na LLA). Presença de bastão de Auer ( uma inclusão eosinofílica citoplasmática semelhante a uma agulha ) é patognomônica de LMA.

    Sangue periférico : anemia normocrômica/cítica, blastemia , oligocitemia, granulocitopenia, plaquetopenia ( maioria abaixo de 100.000).

    Ácido úrico elevado ( risco de nefropatia e de gota), LDH elevado. Fibrinogênio dimin.; TAP prolongado e presença de D-dímero se houver CID.

    Contagem de leucócitos varia de 5000 a 100.000 leuc/mm3. Contagens acima de 150.000 provocam leucostase cerebral que leva a manifestações neurológicas.

    A citogenética tem se revelado como um poderoso fator prognóstico nas leucemias agudas. Citogenética favorável incluem t(8;21), t(15;17) e inv(16)(p13;q22).

    Genótipo 5q- ou 7q- ; cromossomo Filadélfia e anormalidades de 11q23 ,apresentam mau prognóstico.

    Não há quimiotaxia nem fagocitose eficiente. Há grande e rápida proliferação de células funcionalmente nulas ( elevada morbidade e mortalidade).É uma doença extremamnete invasiva e de difícil tratamento.

  • Quadro clínico :

    Anemia (palidez e fraqueza)

    Hemoragias,  sangramentos cavitários ( metrorragia, hemorragia gengival, epistaxe...) e gastrointestinais, petéquias e equimoses pela trombocitopenia.

    Neutropenia - febre e infecções, septicemia. Pneumonia, disfagia pela candidíase orofaríngea.

    Infiltrações leucêmicas em diversos órgãos causando disfunções:

    Suprarrenal - Insuf. suprarrenal - D. Addison aguda ( fatal)
  • Periósteo ( dor óssea)
  • Leucostase cerebral
  • Fígado, baço (visceromegalias)
  • Adenopatia
  • Próstata ( prostatite aguda)


    TRATAMENTO da LMA:

  •  - Visa exterminar as céls. leucêmicas com quimioterapia intensa (citarabina ou idarubicina e daunorubincina).Isto provoca uma aplasia de medula que dura 2-3 semanas para se recuperar. Durante este período, cuidados suportivos devem ser tomados, como antibioticoterapia, hemoterapia (transfusão) eficaz. Após a recuperação inicial, faz-se quimioterapia de consolidação para prolongar a cura. Terapia de manutenção com citarabina e 6-tioguanina por 1 ano. Em certos casos há necessidade de TMO ( pac. com menos de 50 anos) alogenético ou autólogo. O uso de ácidos trans retinóicos na quimioterapia inicial tem melhorado muito o resultado à curto e à longo prazo.

    Trat. da trombocitopenia com transfusão de plaquetas.

    Uso de alopurinol (reduz ac. úrico no sangue) e alcalinização da urina com acetazolamida - reduz riscos de nefropatia por uricemia.

     

    L.Linfóide Aguda ( LLA):

     

  • Incidência : A maioria (80%) acomete crianças e adolescentes ( pico entre 2-10 anos). Mas ocorre em 20% das leucemias agudas do adulto.

  • Etiologia = LMA.

  • Quadro clínico  = LMA, acresentando : risco de leucemia meníngea (Alta incidência da afecções do SNC ( fazer punção lombar)); Pneumonia por Pneumocystis é mais comum ocorrer na LLA.

  • LLA é classificada em linhagem B ou T.
      Oitenta porcento dos casos, a leucemia é de cels blástica B. Céls T está relacionada ao linfoma linfoblástico.
  • EXAMES:

    1. Proliferação linfoblásticas ( intensa infiltração de blastos). A LLA é diagnosticada pela presença de no mínimo 30% de blastos e coloração Sudan negro ou peroxidase negativas no aspirado de medula óssea. É PAS positivo.Não se encontra bastões de Auer.

      O diagnóstico de LLA é feito quando não há evidência química ou histológica de células mielóides, demonstrando enzimas mielóides como a peroxidase. Mas, pode ser confirmado pela demonstração de marcadores de superfície características de células linfóides primitivas:

      Terminal deoxinucleotídeo transferase (TdT) está presente em 95% dos casos de LLA. Antígenos de linfócitos B primitivos incluem CD10 e CD19. Antígenos de linf. T primitivos incluem CD2, CD5 e CD7.Essa é uma forma atual e confiável para se classificar a LLA

    Sangue periférico : anemia normocrômica/cítica, blastemia, oligocitemia, granulocitopenia, plaquetopenia ( maioria abaixo de 100.000).


    Ácido úrico elevado ( risco de nefropatia e de gota), LDH elevado e fibrinogênio dimin.

    Contagem de leucócitos varia de 5000 a 100.000 leuc/mm3.


    Estudo citogenético pode revelar cromossomo Filadélfia Ph 1 -apresenta mau prognóstico.



    TRATAMENTO da LLA:

     - Visa exterminar as céls. leucêmicas com quimioterapia (daunorubicina + vincristina + predinisona + asparaginase) intensa. Esta quimioterapia não é tão mielossupressiva quanto a da LMA. Após a recuperação inicial, faz-se quimioterapia de consolidação para prolongar a cura. Terapia de manutenção com metotrexate e 6-mercaptopurina por 3 ano no mínimo. Em certos casos há necessidade de TMO ( pac. com menos de 50 anos) alogenético ou autólogo.

    Profilaxia meníngea
  • Metotrexate intratecal com ou sem irradiação intracraneana
  • Trat. da trombocitopodenia com transfusão de plaquetas.

    Uso de alopurinol (reduz ac. úrico no sangue) e alcalinização da urina com acetazolamida - reduz riscos de nefropatia por uricemia.

    CONSIDERAÇÕES SOBRE LEUCEMIAS MONOCÍTICAS AGUDAS : Hipertrofia gengival, infilt. na pele e tec. moles ou meninges.


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