LINFOMAS
Conceito
Linfoma é uma neoplasia maligna do sistema reticuloendotelial , com proliferação de linfócitos histiocitários originados nos tecidos linfóides. Todos os linfócitos tem origem monoclonal ( de apenas uma linhagem, vem uma célula "enlouquecida").
O linfomas podem ser Hodgkin ou não Hodgkin, pela presença ou não das células de Reed-Sternberg.
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Em geral o indivíduo pode apresentar: |
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Sinais: Adenomegalia isolada, móvel e indolor, consistência borrachosa, geralmente cervical, mas pode acometer mediastino e causar sintomas respiratórios, esplenomegalia, hepatomegalia.
O linfoma pode ocorrer em qualquer local do organismo, como Trato Gastrointestinal, tireóide, vias biliares, medula óssea, pele, região orofaríngea, baço...
É um grupo heterogênio de doenças malignas dos linfócitos, onde não estão presentes as células de Reed-Sternberg.
A etiologia é desconhecida. Pode haver associações com AIDS, lupus, uso agente alquilantes, radioterapia e alguns vírus (HTLV1,EBV)
Os tipos mais comuns são :
* Linfomas foliculares ( 40% dos adultos) - É um linfoma de céls. B. Ocorre em pacientes idosos, com Linfadenopatia generalizada, indolor.É raro o acometimento extralinfonodal, mas em 75% dos casos a M.O. está acometida. O sangue periférico pode ser envolvido pela leucemização , mas é incomum. Pode evoluir para forma rapidamente progressiva que leva a morte em menos de 1 ano.
*Linfomas Difusos - É a forma mais comum no adulto.(50%). Pode acometer crianças e idosos também . É uma linfoma que pode ser de céls. B ( 80%) e céls T pós-tímicas (20%). Tem uma maior freq. de acometimento extralinfonodal ( trato G.I. etc.)mas, o envolvimento ad M.O. e leucemização é raro. Mau prognóstico e agressivo.Tem 60% de cura.
*Linfoma linfoblástico - É o linfoma de linfócitos T intratímicas imaturas, que ocorre predominantemente em pac. jovens, sendo 40% de todos os linfomas da criança.É 2 vezes mais freq. em homens. Característica muito importante: massa mediastinal. Envolvimento precoce de medula óssea e evolui rápido para LLA. O quadro clínico é idêntico a leucemia linfoblástica aguda, com envolvimento meníngeo.
*Linfoma de Burkit - É uma linfoma de pequenas céls. não clivadas É causada pelo vírus Epstein Barr. Nos africanos envolve quase sempre a região mandibular, mas nos casos na américa ocorre no intestino, retroperitônio e ovários freqüentemente. A doença raramente surge nos linfonodos e raramente ocorre transformação leucêmica. Tem 50% de chance de cura, responde bem à quimioterapia.
Classificação de Ann Arbor - estadiamento:
| Estágio |
Definição |
| I |
Limitado a área |
| II | Envolve duas ou mais áreas do mesmo lado do diafragma |
| III | " " " " " em ambos lados do diafragma |
| III-1 | Envolve linfonodos da porção superior do abdomen, linfonodos hilares, baço. |
| III-2 | Envolve linfonodos abdominais inferiores. |
| IV |
Doença extralinfática disseminada. |
Complemento do estágio ( chave)
A - assintomático
B - febre, sudorese, perda de peso >10% do peso corporal
S - envolvimento esplênico
E - localização extralinfática.
TRATAMENTO
A doença de Hodgkin é uma neoplasia maligna de origem linforreticular, caracterizada histologicamente pela presença de células gigantes multinucleadas ( cels. de Reed-Stenberg), semelhantes ao "olho de coruja".
Pico de incidência - Existe um pico de incidência da doença aos 25 anos e aos 55 anos. Aos 25 anos a grande maioria ocorre na região supra-diafragmática e o subtipo mais frequente é a Esclerose Nodular. Aos 55 anos a maioria é infra-diafragmática, e o tipo Celularidade Mista é o mais comum. Raramente com doença mediastinal.
O diagnóstico se baseia basicamente na biópsia.
Etiopatogenia
Pode estar associado ao Epstein Barr vírus, rearranjo do protooncogene BCL-2.
A neoplasia começa com um único linfócito que fica descontrolado,podendo ser um linfócito T ou B.
Embora a diferença confirmada entre Hodgkin e não-Hodgkin só é feita pelo patologista, existe alguma diferença clinica entre eles:
Patologia
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QUADRO CLÍNICO |
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Na dç de Hodgkin o envolvimento extra-nodal é
incomum, sendo quase sempre localizado em um único grupo axial de linfonodos
(
cervicais, pára-aórticos, mediastinais) e o anel de Waldeyer e linf.
mesentéricos são raramente envolvidos .No linfoma não-Hodgkin o ocorre em
múltiplos linfonodos periféricos e envolve freq. o anel de Waldeyer e linf.
mesentéricos e é comum o envolvimento extra-nodal.
Classificação Histológica de Rye 1966
| Predominância linfocitária | Muitas células RS. - Melhor prognóstico. É raro, apenas 5-10% dos casos. Ocorre mais freqüentemente em crianças e adultos jovens. Geralmente o diagnóstico é feito em estadio I |
| Esclerose Nodular | Existe uma célula variante da RS, a célula lacunar. Mas a célula que da origem à neoplasia é o linfócito B. Muita fibrose formando nódulos. A maioria dos pac. são jovens e adolescentes.É mais comum em mulheres e quase sempre ocorre nos linfodos cervicais baixos, supraclaviculares e mediastinais. É a forma mais freq. da Dç de Hogkin (50% dos casos). 70% é diagnosticado em estágio inicial. O prognóstico é bom. |
| Celularidade mista | Infiltrado heterogênio de eosinófilos, histiócitos benignos, plasmócitos.Mas a célula que da origem à neoplasia é o linfócito T. Rico em cels. RS. É o segundo subtipo mais comum (40%). Ocorre mais em idosos. Na maioria das vezes é diagnosticado em estágio avançado, com grande imunodeficiência instalada. |
| Depleção linfocitária. | Tem uma imunodepressão importante e péssimo prognóstico.É
o subtipo mais grave, com pior prognóstico.É raro (5%). Ocorre mais em
velhos, e muitas vezes é reclassificada como linfoma não Hodgkin.
Ocorre pancitopenia e pode vir associada à AIDS. |
TRATAMENTO
A estratégia terapêutica depende do estadiamento:
Est I.A e II.A. : radioterapia radical ( cura 90 % dos casos)
Est. I.B , II.B, III.A, III.B: radiot. radical com quimioterapia suplementar.
Est. IV : Quimioterapia paliativa.
Drogas usadas na quimioterapia:
- Mecloretamina, cincristina, procarbazina, prednisona
- doxorrubicina, bleomicina, vinblastina.
Cuidado: a quimiterapia aumenta o risco de leucemia, que é dose-dependente.
Efeitos colaterais da QT : infertilidade (95%), cardiotoxidade, hipotireidismo.
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