Estados de Hipercoagulabilidade

 

  1. Existem situações em que o sangue apresenta uma capacidade de coagular-se, até mesmo dentro dos vasos, o que leva a um grande problema de circulação local. Trombose pode ser arterial como ocorre nas coronárias ( infarto) , em artéria intestinal ( infarto enteromesentérico), cerebral ( AVC ou infarto cerebral) etc. ou pode ser venoso como ocorre nas tromboses venonas profundas ( fossa poplítea - com risco para embolia pulmonar e morte) ou seios da dura mater, ou veia porta. O próprio pós operatório cria um estado de hipercoagulabilidade pela reação de fase aguda, com aumento do fibrinogênio plasmático.
  2.  O câncer está associado a tromboses arteriais e venosas. Há substâncias procoagulantes que são liberadas das neoplasias, estimulam os fatores da coagulação. Moléstias  sangüíneas que aumentam a carga eritrocitária ( policitemia), hemoglobinúria paroxística noturna estão associados a grande chance de tromboses.
  3. Estrogênios ( TRH, anticoncepcionais orais) nunca podem ser tomados V.O. por pessoas com história de trombose ou grande tendência para tal.
  4. Lupus anticoagulante - É um anticorpo IgG ou IgM que produz in vitro prolongamento do PTTK ,mas que no entanto causa uma grande tendência à trombose. Ocorre em 10% dos pacientes com lupus. O Tempo de trombina e o nivel de fibrinogenio plasmático são normais. Não há tendência ao sangramento. Há VDRL falso positivo. Há grande tendência à abortos repetitivos. Mulheres com esta moléstia que ficarem grávidas, devem tomar aspirina 75mg/dia e heparina SC 10000UV 12/12Hrs para evitar esta complicação.
  5. Uso de warfarin - Pode provocar a síndrome da necrose dérmica em paciente com deficiência invisível de proteína C. Por isso sempre use heparina em qualquer paciente 5-7 dias antes do warfarin, para previnir este acontecimento. Explicação : A proteína C é responsável pela inativação dos fatores V e VIII e é dependente de vitamina K. Como os cumarínicos inibem a produção de vitamina K, acabam depletando o pouco que resta da proteína C. Assim há função exacerbada dos fatores V e VIII e que levam a microtromboses dérmicas.
  6. Deficiência de antitrombina III, proteína C e proteína S;
  7. Presença do fator V de Leiden (É o fator V que não reage à proteína C, assim, nao se consegui inibí-lo)
  8. Plasminogênio anormal ( é a proteína que vira plasmina e degrada a fibrina)

Tratamento

Paciente que irá submeter-se à cirurgia e possui fator de risco, deve-se fazer uma profilaxia pre e pos opertória - heparina 5000U SC 8/8 ou 12/12 hrs. Para canceros com alta chance de tromboses usar heparina 10000U SC 12/12 Hrs. Existe a opção de usar o clexane que é a enoxiheparina ( baixo peso) 20-40 mg SC 1 vez ao dia e nao precisa de controle laboratorial.

Pacientes com Deficiência de antitrombina III, proteína C e proteína S, deve-se usar warfarin ( Marevan) pelo resto da vida.

 

 

 

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