O sistema imune do nosso corpo é de grande
eficiência no combate a microorganismos invasores. Mas não
é só isso, ele é responsável pela “limpeza”
do organismo, ou seja, a retirada de células mortas, a renovação
de determinadas estruturas, rejeição de enxertos, e memória
imunológica*.
Existe uma variedade de locais onde podemos encontrar
tecidos linfóides. O tecido linfóide pode estar acumulado
formando os linfonodos que se interpõem entre os vasos linfáticos
do corpo, pode fazer parte do parênquima de órgãos
maciços como o baço, o timo ou as placas de Peyer do íleo.
As tonsilas (amígdalas) são formadas puramente por
tecido linfóide. Alguns órgãos não possuem
tecido linfóide, mas tem uma grande população de macrófagos
prontos para agir e fazer a “limpeza” do local, como por exemplo o pulmão
(macrófagos alveolares) , o fígado (células de Kuppfer),
o cérebro (micróglias) e a pele (células de Langehans).
Células do sistema imune são altamente
organizadas como um exército. Cada tipo de célula age de
acordo com sua função. Algumas são encarregadas de
receber ou enviar mensagens de ataque, ou mensagens de supressão
(inibição), outras apresentam o “inimigo” ao exército
do sistema imune, outras só atacam para matar, outras constroem
substâncias que neutralizam os “inimigos” ou neutralizam substâncias
liberadas pelos inimigos”.
Neste capítulo descrevemos cada célula que
compõem este extraordinário sistema imune.
As células do sistema imune são
denominadas leucócitos (leukos=branco), pois são células
brancas do sangue. O número de leucócitos por milímetro
de sangue no adulto normal é de 5.000 a 10.000. Ao nascimento, o
sangue da criança contém 20.000 leucócitos/mm³
de sangue e vai decrescendo com a vida e aos 12 anos atinge a faixa do
adulto.Isso ocorre porque a criança ainda não tem as barreiras
naturais do organismo completamente desenvolvidas, tendo mais facilidades
de contrair infecções de diversas naturezas.Por essa razão
é necessário que haja uma população de leucócitos
maior para a proteção da criança.
Denomina-se leucocitose o fenômeno em
que o número destas células sobe acima de 10.000/mm³
de sangue e leucopenia quando desce abaixo de 2.000/mm³ de sangue.
Na leucemia (câncer de leucócitos) encontramos mais de 100
mil leucócitos/mm³ de sangue.
As células derivadas exclusivamente da medula,
são nomeadas de acordo com a sua coloração pelo corante
universal hematoxilina-eosina. São eles os leucócitos granulócitos
: neutrófilos; eosinófilos e basófilos. A hematoxilina
é um corante básico e a eosina um corante ácido. Os
leucócitos eosinófilos tem afinidade pela eosina ,ou seja,
tem afinidade por corante ácido (também chamado de leucócito
acidófilo) e o basófilo tem afinidade pela hematoxilina,
que é um corante básico, então chamado basófilo.
As células acidófilas se coram em vermelho e as basófilas
em azul escuro. Já os neutrófilos ou polimorfonucleares são
corados por corante neutros, ou seja de pH=7.
Os linfócitos são agranulócitos
(quer dizer, sem grânulos no citoplasma), que são indentificáveis
pela microscopia óptica pelo sua imensa massa nuclear que toma quase
todo o citoplasma. São células indiferenciadas entre si pela
microscopia óptica, entretanto podem ser diferenciadas pelas técnicas
imunocitoquímicas que detectam o CD (cluster differenciation) é
possível saber que tipo de linfócito está se observando.
Os linfócitos são divididos em linfócitos T, linfócitos
B e linfócitos NK, sendo o LT responsável principalmente
pelo auxílio ao sistema imune e resposta imune celular, o linfócito
B responsável pela resposta imune humoral (com detalhes do
capítulo 5) e os linfócitos NK pela resposta imune inespecífica.
Os LT e os LB produzem resposta imune específica, pois ambos são
estimulados a partir de epítopos de antígeno específico.
Neste caso formarão populações monoclonais específicas
para atacar o antígeno em questão.
Temos ainda as células do sistema monocítico
fagocitário (SMF) antigamente conhecido por sistema retículo-endotelial).
Estas células são especialistas em fagocitose e apresentação
de antígeno ao exército do sistema imune. São elas
: macrófagos alveolares, micróglia, células de Kuppfer,
células dendríticas, células de Langehans e
macrófagos em geral.
Neste bloco iremos tratar sobre a
estrutura morfológica sob aspecto microscópico, funções
das células e mecanismos de ação delas.
As células do sistema imune são dependente uma
das outras, pois se comunicam através de citocinas (ou interleucinas)
e modulam a resposta imune.
São células polimorfonucleares
(PMN), ou seja, possuem um núcleo bilobulado, trilobulado ou pentalobulado.
A presenças deste lóbulos nucleares ajuda na identificação
destas células na microscopia óptica. Estes lóbulos
são interligados por cromatina . A cromatina nuclear dos neutrófilos
estando frouxa indica que a célula é jovem, e se estiver
condensada indica célula antiga. Um pequeno apêndice aparece
ao lado do núcleo de neutrófilos de pessoas do sexo feminino.
Este apêndice é a manifestação visual da cromatina
sexual (cromossomo X). .
São os leucócitos mais populosos do
sangue, fazendo parte de aproximadamente 65% dos leucócitos do sangue.
Eles são os principais fagócitos do sangue e participam da
reação inflamatória, sendo sensíveis a agentes
quimiotáxicos liberados pelos mastócitos, basófilos
e complemento*. Agentes quimiotáxicos são substâncias
que atraem os neutrófilos até o local, ajudando no movimento
em direção ao agente agressor. A leucocitose de neutrófilos
pode indicar uma infecção bacteriana, visto que este leucócitos
participam da fagocitose de bactérias e são altamente estimulados
numa infecção deste tipo, que é chamado no de desvio
à esquerda no estudo do hemograma.
Os neutrófilos são células
piogênicas, ou seja, dão o aspecto purulento nas inflamações,
aquele “líquido leitoso” do pus. O pus é formado por substâncias
bacterianas, bactérias mortas, sangue, mas principalmente por neutrófilos
que morreram em combate. Eles possuem receptores de superfície
denominados LFA-1( presente também em macrófagos ) , que
é uma molécula de adesão, se ligando ao ICAM-1 dos
endotélios, que se refere ao receptor de neutrófilos nos
vasos. Ao se ligar ao endotélio, o neutrófilo realiza a diapedese,
que é o processo no qual o neutrófilo atravessa os póros
do endotélio dilatado em entra no tecido. O endotélio se
dilata pela presença de vasodilatadores como histamina, prostaglandina
E2, prostaciclina e componete C5a do complemento.
Os neutrófilos possuem em sua membrana receptores
para o componente C3b do complemento . O C3b estimula a fagocitose pelos
neutrófilos e o componente C5a é um importante quimiotáxico
para eles, aumentando também o seu metabolismo. O C3b é gerada
pela fixação do complemento e quando liberada na reação
se liga ao receptor de superfície do neutrófilo fazendo opsionização,
ou seja, ajuda na ingestão do material pelos fagócitos. Os
neutrófilos ainda possuem receptores da fração FC
das IgGs chamadas de FCgamaR. Estas imunoglobulinas IgG (neste caso são
opsoninas) envolvem o material a ser fagocitado e se liga a este receptor
de superfície, ocorrendo a emissão de pseudópodes
e englobamento da partícula.
O citoplasma destes granulócitos neutrófilos
é rico em grânulos específicos (que se coram
por corantes neutros), mas também possuem grânulos azurófilos
que não são específicos para eles. Os grânulos
azurófilos contém fosfatase ácida , mielo-peroxidase,
proteínas básicas e glicosaminas sulfatadas ( se coram em
púrpura pela coloração de Romanowsky). Já os
grânulos específicos contém fosfatase alcalina, colagenase,
lactoferrina e lisozima (Quadro 2.1)
A mieloperoxidase(MPO) é uma enzima
que compõem o sistema “peróxido de hidrogênio-MPO-hialida”.
Este é o sistema mais eficiente e mais importante anti-microbiana
presente no grânulos azurófilos dos neutrófilos. O
mecanismo de ação dela se baseia no seguinte:
O neutrófilo sintetiza peróxido
de hidrogênio por ação da enzima superóxido
desmutase (SOD) a partir de 2 moléculas de superóxido. A
MPO converte o peróxido de hidrogênio em presença de
uma hialida como o cloreto(Cl-) em HOCl-, que é um poderosíssimo
oxidante.Isto mata a bactéria por oxidar sua membrana plasmática
e criar ligação moleculares prejudiciais ( faz união
dos radicais sulfidrila dos aminoácidos cisteína das
proteínas superficiais). Devemos destacar aqui uma doença
denominada doença granulomatosa crônica da infância
(DGC), que se caracteriza por defeito nos genes que codificam a MPO. Não
havendo a MPO, a criança fica muito vulnerável a infecções
oportunistas e recidivantes.
A lisozima presente nos fagócitos em
geral, hidrolisa (quebra) a parede de bactérias gram-positivas principalmente.
Este enzima hidrolisa a ligação entre a cadeia de ácido
N-acetil-murâmico e o N-acetil-glucosamina da parede celular (camadas
de peptidoglicana*).
A lactoferrina é um ligante do ferro,
que é importantíssimo para a vida e desenvolvimento da bactéria.
Quando a lactoferrina é liberada no meio por exocitose, ela se liga
a todo o ferro que encontra no caminho e mata a bactéria de fome,
pois ela não tem ferro para ingerir. Essa lactoferrina também
é encontrada na saliva humana.
A APB (proteína bactericida de
aumento da permeabilidade) é uma substância altamente catiônica
que altera a permeabilidade da membrana plasmática das bactérias
(que é altamente aniônica) e as mata por osmose (entrada excessiva
de líquido).
Colagenase digere o colágeno nos tecidos,
e é responsável por criar o “abcesso” presente na inflamações
purulentas ( furúnculo p. exemplo). Isso ocorre por que no pus estão
presentes quantidade enorme de neutrófilos mortos que tiveram suas
membrana plasmáticas rompidas, o que liberou para o meio as suas
enzimas, incluindo a colagenase.
As enzimas hidrolíticas em geral necessitam
de um pH ideal entre 4 e 5.Essas enzimas hidrolíticas descritas
acima estão presentes nos lisossomas dos neutrófilos na forma
inativa pois o pH está alto. Quando se fundem ao fagossoma formando
o fagolissoma , o pH abaixa e ativa as enzimas, que vão agir sobre
as bactérias presentes do fagossoma e fazer a digestão.
Os mastócitos são células
do tecido conjuntivo, originado a partir de células mesenquimatosas
(células de grande potência de diferenciação
que dá origem as células do tecido conjuntivo).
Possui citoplasma rico em grânulos de coloração
azul pelo HE (basófilos). A principal função dos mastócitos
é armazenar potentes mediadores químicos da inflamação,
como a histamina, heparina, ECF-A (fator quimiotáxico dos eosinófilos),
SRS-A , serotonina e fatores quimiotáxicos dos neutrófilos.
Esta célula não tem significado no
sangue, sendo uma célula própria do tecido conjuntivo. Ela
participa de reações alérgicas (de hipersensibilidade),
na qual chama os leucócitos até o local e cria uma vasodilatação.
É a principal célula responsável
pelo famoso choque anafilático. O Processo de ativação
da desgranu-lação (exocitose) se baseia na sensibilização
destas células (mastócitos), que ocorre em indivíduos
com uma predisposição genética na maioria dos casos.
Esta sensibilização ocorre da seguinte forma: (fig.2.2) o
primeiro contato com o alérgeno (substância irritante que
causa a alergia) estimula a produção de IgE específicas
que se unem aos receptores de superfície dos mastócitos,
pois estes são rico em receptores de IgE. No segundo contanto, as
IgE ligadas ao mastócito se ligam ao alérgeno e desencadeia
a liberação de todos os mediadores inflamatórios.
Com isso a histamina causa uma vasodilatação, a heparina
é anticoagulante, o ECF-A chama os eosinófilos e a fator
quimiotáxico dos neutrófilos chama os neutrófilos
ao local. O SRS-A (slow reacting substance of anaphilaxis) traduzindo significa
substância de reação lenta da anafilaxia e tem como
efeito produzir contração lenta da musculatura lisa. Esta
contração da musculatura lisa é importante quando
essa reação anafilática ocorre no pulmão
(devido à inalação do antígeno) e leva a uma
broncoconstricção (asma alérgica).A histamina
também contribui muito na asma devido a presença de receptores
histaminérgicos H2 que causam broncocontricção.
Sobre mecanismo de liberação
dos mediadores o que ocorre, de um modo mais detalhado, é a ativação
da adenil ciclase pelo receptor de IgE estimulado. A adenil ciclase quebra
o ATP em AMPc, que vai ativar uma enzima chamada de proteína quinase
A, que vai fosforilar filamentos contráteis do citoplasma. O AMPc
também proprociona a maior entrada de íons de cálcio
(Ca++), que favorece a contração das miofibrilas. Essa contração
do citoplasma carreia as vesículas cheias de mediadores para
a membrana plasmática realizando a exocitose.
Outro meio de causar a ativação da
desgranulação dos mastócitos, porém sem a participação
da IgE é a ligação dos componentes C3a, C4a e C5a
do complemento e de IL-3 com receptores de superfície. Os componentes
do complemento são liberadas na ativação da via clássica
e a IL-3 é liberada por linfócito T ativados.Essas substâncias
são conhecidas como anafilotoxinas pois podem desencadear a reação
anafilática.
O efeito da reação anafilático
no paciente se manifesta clinicamente no local onde houve o contato com
o alérgeno. Por exemplo, se for na conjuntiva dos olhos, ocorrerá
uma conjuntivite alérgica, no intestino uma diarréria e vômitos,
na pele ocorre edema angioneurótico e erupção maculo-papular.
A urticária resulta de antígenos que foram absovidos pelo
trato intestinal e que vão causar alergia na pele.Esses casos podem
ser tratados com hidrocortisona ou antihistamínicos. Foi descoberto
que o interferon gama ( produzido por linfócitos T helper-1) pode
inibir o processo de secreção de IgE pelos plasmócitos,
podendo assim impedir a desgranulação dos mastócitos.
É importante que saibamos os efeitos sistêmicos
do choque anafilático, que ocorre quando o antígeno é
inoculado na circulação sangüínea do paciente.
Este antígeno pode ser a penicilina, ou peçonha de algum
inseto (abelha) e etc. A histamina liberada em grande quantidade
no sangue é o principal responsável pelo efeitos sistêmicos
do choque anafilático: taquicardia (efeito direto de receptores
H2 no coração ou pelo efeito reflexo baroceptor pela queda
da pressão arterial), hipotensão arterial grave devido a
intensa vasodilatação. Ocorrem ainda edema de glote (laringe)
e efeitos gastrintestinais (diarréia, vômitos...). Esse choque
sistêmico pode levar a morte por colapso circulatório e deve
ser tratado imediatamente com administração de adrenalina,
pois é o antagonista fisiológico da histamina.
A reação anafilática é
também chamada de reação de hipersensibilidade
tipo I.

Os eosinófilos são leucócitos
granulócitos presentes na sangue em pequena quantidade. É
encontrado fazendo parte de aproximadamente 3% dos leucócitos do
sangue. É binucleado e seu citoplama possuem grânulos específicos
que se coram pela eosina (acidófilos), que são lisossomas,
sendo ricos em fosfatases ácidas. As nucleases presentes são
as ribonucleases e as desoxiribonucleades que digerem o RNA e o DNA, respectivamente.
Funcionalmente esta célula é capaz
de fagocitar bactérias ou qualquer outro material estranho. Mas
a sua principal função não é a fagocitose,
mas sim a exocitose da PBM (proteína básica maior). Esta
proteína é rica em arginina (aminoácido básico)
e contribui muito para a acidofilia ( ou eosinofilia) dos grânulos
desta célula, pois substâncias básicas tem afinidade
por substâncias ácidas. Ela é tóxica para parasitas
de humanos e causam a sua morte. Se o sangue do indivíduo
estiver com a taxa de eosinófilos alta (leucocitose eosinofílica)
é um grande indicador de infecção parasitária.
Um exemplo é a infecção por Schistossoma mansoni,
no qual a grande eosinofilia confirma a suspeita clínica e ajuda
no diagnóstico.
Os eosinófilos também estão
muito presentes em reações alérgicas do organismo.
Isto ocorre porque o basófilo ou o mastócito, estimulado
na reação alérgica, libera o ECF-A ( fator quimiotáxico
dos eosinófilos na anafilaxia) ou seja, é um fator que atrai
e dirige os eosinófilos até o local da alergia. O eosinófilo
chega ao local da reação para resolver a reação
(inibir) através da liberação de histaminase e aril
sulfatase B que destróem a histamina e o SRS-A respectivamente,
que são produtos inflamatórios liberados pelos mastócitos
ou basófilos sensibilizados.
Os basófilos são granulócitos
encontrados no sangue em pequena quantidade, variando entre 0 a 1% dos
leucócitos. Esta célula é grande, com núcleo
volumoso, geralmente em forma de “S” e possui grânulos grandes no
citoplasma (observe figura 1.3).
Os basófilos tem função semelhante
ao dos mastócitos. Possui aos mesmos mediadores nos seus lisossomas,
e possui também receptores de IgE. Participa de reações
alérgicas da mesma forma que os mastócitos. A diferença
básica entre oa basófilos e os mastócitos está
no fato de os basófilos serem encontrados no sangue ( não
típico do tec. conjuntivo) e da estrutura morfológica. A
origem também é diferente, como se pode observar no
capítulo I referente a leucocitopoese.
A sua participação no choque anafilático
(sistêmico) é maior que o mastócitos, pois os basófilos
são células que realmente estão presentes no sangue,
e liberam os mediadores para a circulação.
Os monócitos estão presentes no
sangue, constituindo-se de 3 a 8 % dos leucócitos circulantes. O
macrófagos não estão circulando no sangue, são
células que aparecem no tecido conjuntivo ou no parênquima
de algum órgão, e é originado a partir dos monócitos,
que migraram até o local (veja capítulo I).
Os monócitos tem núcleo ovóide,
ou em forma de rim e o citoplasma basófilo, com grânulos azurófilos.
É diferente do macrófago, que é uma célula
grande, amebóide com retículo endoplasmático rugoso
e complexo de Golgi desenvolvidos. O monócito e o macrófago
pode ser visto na fig.1.5.
O monócito também participa da formação
dos granulomas na inflamação crônica granulomatosa
( detalhes no capítulo 3, ítem 2.3). Eles se fundem em formam
as células gigantes de Langhans. Estas células multinucleadas
gigantes tem grande capacidade fagocitária, e engloba partículas
maiores, como fungos ( paracoccidiodes, coccidioides, blastomyces
etc.) e também bactérias (Treponema pallidum, Mycobacterium
tuberculosis e M. leprae). No granuloma, os macrófagos (originados
dos monócitos do sangue) se modificam e viram células epitelióides,
com grande atividade secretora e pouca atividade fagocítica. Elas
secretam enzimas hidrolítica que vão matar o ser estranho
que está no granuloma. Estas enzimas também causam necrose
no centro desses granulomas, como por exemplo, a necrose caseosa encontrada
na tuberculose.
Os monócitos também formam os osteoclastos
presente no tecido conjuntivo ósseo. Estes osteoclastos são
células que digerem a hidroxiapatita dos óssos e com
isso liberam cálcio e fosfato para o sangue. Ficam estacionadas
dentro de cavidades denominadas lacunas de Howship. Sua atividade é
regulada pelo paratormônio, que estimula sua atividade. Quando o
cálcio do sangue cai abaixo de um limiar, as glândulas paratireóides
liberam este hormônio.
Os macrófagos são células de
altíssimo poder fagocitário.O interferon gama* produzido
por linfócitos T helper estimula a fusão dos lisossomas com
o fagossoma para que haja a digestão intracelular. Este fato é
importante para entender diversas doenças como a leishmaniose difusa
e a hanseníase lepromatosa . Estes fagócitos possuem diversas
enzimas hidrolíticas em seus lisossomas.Ele não possui a
mieloperoxidase, mas mata as bactérias por liberação
de radicais derivados do oxigênio, como o superóxido, radical
hidroxila e o peróxido de hidrogênio ( H2O2). Estes
vão oxidar as membranas das celulares da bactéria e
formar pontes dissulfeto entre os aminoácidos cisteína de
diversas proteínas estruturais da bactéria, o que leva a
morte da mesma. Entretanto, a bactéria pode possuir alguma enzima
que degrada a H2O2, como a catalase presente no Staphilococcus aureus.
A catalase é nesse caso um mecanismo de defesa da bactéria
pois destrói o peróxido de hidrogênio.
Possui funções de extrema importância
para o sistema imune:
Apresentador de antígenos: Os macrófagos são células
que vão fagocitar a antígeno e digerí-lo no fagolisossoma.
Porém os seus epítopos* são levados até a superfície
da célula e apresentado ao linfócito T ou ao linfócito
B. Ao mesmo tempo ele sintetiza o MHC-classe II ( MHC é um antígeno
produzido pela célula, originado em genes chamados de HLA-D , veja
capítulo 3) que se combinará com o linfócito T. Este
irá estimular todo o sistema imune do organismo e “convocar” as
células para o ataque.
Limpador : Os macrófagos são células
que chegam para fazer a limpeza de um tecido que necrosou, ou que inflamou.
Eles fagocitam restos celulares, células mortas, proteínas
estranhas, calo ósseo que se formou numa fratura, tecido de cicatrização
exuberante etc. Após esta limpeza, os fibroblastos ativos ( no caso
de uma necrose) vão ao local e preenchem o espaço com colágeno.
Produtor de interleucinas: O macrófago é
o principal produtor da interleucina I (IL-1). Ele produz a IL-1 quando
fagocita organismos invasores (micróbios), que dá o alarme
para o sistema imune. Esta citocina estimula linfócitos T helper
até o local da infecção, onde serão apresentados
aos epítopos nos macrófagos. Além disso a IL-1
estimula a expansão clonal dos LThelper e dos linfócitos
B específicos contra os epítopos (lembre-se: epítopos
são moléculas específicas dos antígeno que
é capaz de criar uma população de células
específica para combatê-lo)
A IL-1 é responsável pela febre
nas infecções e inflamações que ocorrem no
corpo. Ela vai ao hipotálamo, nos núcleos supraópticos
e estimula a produção de prostaglandinas, que ativam o sistema
de elevação da temperatura. Estes núcleos ativados
vão fazer com que os vasos sangüíneos da pele se contraem.
Com isso a pele retém o calor do corpo, fazendo-o esquentar. O suor
que aparece na febre indica melhora, pois os vasos da pele se dilatam
e as glândulas sudoríparas estão em funcionamento,
liberando água, com isso mandando o calor para o meio externo.
A IL-1 também estimula a ciclo-oxigenase no metabolismo do ac. aracdônico,
aumentando a produção de prostaglandinas pelos leucócitos
, que vai contribuir para a inflamação e dor (lembre-se que
as prostaglandinas participam do mecanismo da dor). Além disso a
IL-1 estimula a síntese de proteínas de adesão leucocitária
nos endotélios (como a ICAM-1) e facilita a adesão dos leucócitos
para realizar a diapedese. Outras funções da IL-1 se referem
aos estímulos para maturação dos leucócitos,
descrito no capítulo 1.
Os macráfagos são resposáveis
pelo sistema monocítico fagocitário (SMF), pois vem da maturação
dos monócitos que chegam pelo sangue. Existem células que
são morfologicamente diferentes dos macrófagos, mas tem a
mesma função, e provém dos monócitos
da mesma forma, sendo, então parte do SMF. São eles:
- monócito sanguïneo - circulante no sangue;
- Micróglia - SNC;
- Células de Kuppfer - fígado;
- Macrófagos alveolares - pulmão;
- Células dendríticas - região subcortical dos
linfonodos;
- Mesangio intraglomerular - glomérulo de Malpighi renal;
- Macrófagos sinusais dos baço - cordões de billroth
da polpa vermelha do baço.
- Macrófagos das serosas - peritônio, pericárdio
e pleura;
- Células de Langehans - pele;
Os macrófagos ou células de Langehans
da pele quando inativados, viram histiócitos. Estes reduzem
as suas organelas e diminuem o seu metabolismo ficando como um “vegetal”.
Os histiócitos são responsáveis pela formação
da tatuagem, onde seu citoplasma fica cheio de pigmentos fagocitados.
Os macrófagos possuem receptores de superfície
( ou marcadores) que são chamados de RC1 e FC-gamaR O RC1
é o receptor que se interage com o componente C3b do complemento.
A interação deste C3b com o RC1 estimula a fagocitose dos
macrófagos (opsionização). Já o FC-gamaR é
o receptor de IgG para a sua fração FC cuja interação
causa opsionização, estimulando a fagocitose (englobamento
pela emissão de pseudópodes). Estes receptores descritos
acima são importantes, pois a bactéria ou outros agentes
estranhos costumam estar envolvidos de IgG e de componentes do complemento
como o C3b. Outro receptor encontrado nos macrófagos é
o LFA-1 que é responsável pela adesão ao endotélio
capilar (semelhante aos neutrófilos)
Um destaque deve ser dado para as células
dendríticas dos linfonodos. Estes não expressam o MHC-classe
II, apenas o RC1 e o FC-gamaR e mantém interações
de apresentação do antígeno aos LB dos linfonodos.
Linfócitos são encontrados no sangue
contribuindo para 20-30 % dos leucócitos Esta porcetagem varia
muito de acordo com a saúde o paciente. Se ele está deprimido,
estressado , esta porcentagem cai muito, ou no caso de uma infecção
viral, esta porcentagem cresce bastante. Numa rejeição de
enxerto, observamos grande aumento de linfócitos.
Os linfócitos possuem núcleo esférico,
preenchendo quase toda a célula, deixando o citoplasma com pequena
área.O núcleo é bem maciço, e não deixa
aparecer o nucléolo na microscopia óptica, só visível
na micróscopia eletrônica..Veja fig.1.3 e fig 2.2.
Linfócitos T e linfócitos B são
indiferenciados pela microscopia, sendo portanto, diferenciáveis
pelas técnicas imunocitoquímicas para detecção
de receptores específicos de membrana. O linfócitos T possui
o receptor TCR específco para células T, que funcionalmente
serve para reconhecer e o antígeno que lhe é apresentado
e ativar o linfócito. O linfócitos B possui o receptores
diversos, sendo a IgM monomérica o principal receptor e é
identificado pela imunocitoquímica. Essa IgM monomérica também
server para reconhecer o antígeno que lhe é apresentado.
Iremos, a seguir, descrever as características funcionais dos LT
e dos LB, que são importantíssimas para o S.I.
O Linfócito T citotóxico possui receptores
CD8, que tem a função de reconhecer o MHC-classe-I expressada
por células rejeitadas (transplantes e enxertos). MHC
(Major Histocompatibility Complex),significa complexo de histocompatibilidade
principal. Todas as células do organismo possuem genes próprios
para o MHC denominados de HLA. Quando uma célula estranha entra
no organismo, vão expressar o MHC -classe I na superfície,
cuja expressão é ampliada por estímulos como o interferon
gama.. O MHC-classe II é produzido por macrófagos e linfócitos
B, e tem a função de ligá-los aos linfócitos
T helpers para lhe apresentar o antígeno, através da interação
CD4-MHC-II e TCR-epítopo (cap.3).
Esta célula T citotóxica (LTc)
é o principal “soldado” do sistema imune, pois ataca diretamente
as células estranhas que expressam o MHC- I e lisa a célula
(destrói a membrana celular). A resposta imune que se baseia
na ativação e ataque das células CD8 é denominada
de resposta imune celular específica (RIC-capítulo 3). Esta
célula também participa de reações de hipersensibilidade
tardia (tipo IV), como as reações que caracterizam os testes
intradérmico tipo PPD na pele. O seu principal estimulador é
a interleucina 2 (produzida pelo LT-helper 1), que causa a expansão
clonal de linfócitos T citotóxicos monoclonais na RIC.
Linfócitos T supressores são linfócitos
que tem a função de modular a resposta imune através
da inibição da mesma. Ainda não de conhece muito a
respeito desta célula, mas sabemos que ele age através da
inativação dos linfócitos T citotóxicos e helpers,
limitando a ação deles no organismo numa reação
imune. Sabemos que o LT helper ativa o LT supressor que vai controlar
a atividade destes LT helpers, impedindo que eles exerçam sua atividades
excessivamente. Os LT supressores também participam da chamada tolerância
imunológica, que é o mecanismo por qual o sistema imune usa
para impedir que os leucócitos ataquem as próprias células
do organismo. Portanto se houver deficiência na produção
ou ativação dos linfócitos T supressores, poderá
haver um ataque auto-imune ao organismo.
Os receptores de superfície encontrados são
os CD3 e o CD8, que também se observa nos LT citotóxicos.
O receptor CD3 dos linfócitos participa do mecanismo de ativação
intrínseca do linfócito, explicado detalhadamente no capítulo
3, ítem 2.4.
Os linfócitos B são células
que fazem parte de 5 a 15% dos linfócitos circulantes e se originam
na medula óssea (capítulo I) e se desenvolvem nos órgãos
linfóides. O nome linfócito B é devido a sua origem
na cloaca das aves na Bolsa de Fabricius.
São células de núcleo grande e que possuem
o retículo endoplasmático rugoso e o complexo de Golgi extremamente
desenvolvidos em seu citoplasma, e especialistas em síntese de gamaglobulinas
quando ativadas. Porém em repouso, estas organelas não estão
desenvolvidas. Estas células não possuem o corpúsculo
de Gall que aparece nos LT.
Os LB tem como função própria,
a produção de anticorpos contra um determinado agressor.
Anticorpos são proteínas denominadas de gamaglobulinas ou
imunoglobulinas que exercem várias atividades de acordo com
o seu isotipo (IgG, IgM, IgA...) Estes anticorpos realizam diversas funções
como : opsoninas*, ativadores de complemento, neutralizadores de substâncias
tóxicas (como as que são liberadas por bactérias ou
por animais peçonhentos), aglutinação, neutralização
de bactérias, etc...
Os LB possuem como principal marcador de superfície
a IgM monomérica, que participa do complexo receptor de antígenos.
Esta imunoglobulina entra em contato com o antígeno (análogo
ao TCR dos LT ) quando lhe é apresentado diretamente ou indiretamente
pelos macrófagos. A IgM se ligando ao epítopo, internaliza
o complexo IgM-epítopo. Estes complexo realiza diversas modificações
na célula, que tem a finalidade de induzi-la a produção
de imunoglobulinas (em detalhes na capítulo 4).
Os LB em repouso não produzem imunoglobulinas,
mas quando estimulados por interleucinas (como a IL-4 e a IL-1) vão
sofrer expansão clonal e se transformar numa célula ativa
denominada de plasmócito. Os plasmócitos (fig. 2.3) possuem
na sua ultra-estrutura, o REG e o complexo de Golgi desenvolvido, e o núcleo
com aspecto de roda de carroça. Secretam ativamente anticorpos específos
na resposta imune humoral (RIH).

Fig. 2.3 - Desenho que demosntra as
características ultra-estruturais dos plasmócitos. Observe
a imensa quantidade de retículo endoplasmático rugoso e o
complexo de Golgi desenvolvido no citoplasma. O núcleo possui cromatina
condensada na periferia dando um aspecto de roda de carroça. As
mitocôndrias estão aumentadas e desenvolvidas (muitas cristas
alongadas).
Os LB expressam o MHC classe II quando ela entra
em contato com o antígeno. Este MHC é importante para
a interação com os LT, pois o MHC-II reconhece o CD4 dos
LT-helpers (Veja capítulo3 ou 4). Os LTCD4 irão ajudar na
maior ativação dos sistema imune, com a produção
de inúmeras interleucinas indutoras.
Os linfócitos NK (Natural Killer) são
células matadoras naturais, ou células assassinas e fazem
parte de 10-15% dos linfócitos do sangue. Elas lisam (destroem)
a células tumorais (estranhas) ou infectadas por vírus sem
que estas expressem algum antígeno ativador da resposta imune específica.
Este tipo de resposta é chamada de resposta imune inespecífica,
pois não há reconhecimento de epítopos e nem formação
de células monoclonais específicas ou qualquer memória
imunológica (que é sempre específica).
Estas células possuem a morfologia dos LGG
e não costumam expressar receptores CD de superfície,
não existindo nenhum marcador específico para os NK.
O marcador mais encontrado e usado atualmente para detecta-los é
o CD16 ou o CD56.
As células NK também lisam células
cobertas por IgG. Essa função é denominada de citotoxidade
celular dependente de anticorpo. Este processo é possível
devido a presença de receptores FCgamaR nos linfócitos NK,
que é o receptor de FC das IgG.
Contados com escritor: Manoel Carlos
de Mello Motta Junior:
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