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RESPOSTA IMUNOLÓGICA
MEDIADA POR CÉLULA
2. - Resposta imune celular inespecífica
2.1 - Atividade dos macrófagos e dos polimorfonucleares (PMN’s):
Os macrófagos são células que derivam da migração
dos monócitos sangüíneos para o tecido. As
suas características morfológicas e bioquímicas
são descritas no capítulo referente às células
do sistema imune, e posteriormente abordaremos novamente a função
das enzimas hidrolíticas.
A função dos macrófagos se baseia principalmente
na fagocitose. Fagocitose significa “ ingestão de alimento”,
fagócito significa “célula que come” e macrófago
“célula grande que come”. Os macrófagos sendo fagócitos,
irão se aproximar do antígeno e identificar se essa substância
é um antígeno ou não, assim como um animal cheira
um material e verifica se ele é um alimento ou não. Se
essa substância tem um peso molecular grande, não faz parte
do mapa genético do organismo (que o macrófago tem) ou
é uma substância de grande complexidade molecular, ele
irá fagocitar, porém com uma maior lerdeza e dificuldade.
Entretanto, se esta substância estiver envolvida por um anticorpo
(IgG p. exemplo), o macrófago irá identificar mais
rapidamente que essa substância é um antígeno, e
irá fagocitá-la imediatamente. Por que isto ocorre? Devemos
nos lembrar no que foi dito no capítulo
sobre células do sistema imune a respeito dos receptores
de membrana dos macrófagos. Neste capítulo falamos a respeito
do FCgamaR é o receptor de imunoglobulina na membrana dos fagócitos.
Então,podemos concluir que: quando a imunoglobulina (envolvendo
o antígeno) se ligar ao FCgamaR, irá desencadear
uma série de reações químicas dentro do
macrófago, fazendo-o acreditar que a substância é
um antígeno verdadeiro, e então realizará rapidamente
a emissão de pseudópodes (englobamento).
Após o englobamento do antígeno, formará uma vesícula
chamada de fagossoma e fica envolvido dentro do citossol. Os lisossomas
que estão soltos no citoplasma contém enzimas hidrolíticas
que estão inativadas pelo pH relativamente alto. O fagossoma
se une ao lisossoma e forma o fagolisossoma. O pH no fagolisossoma abaixa,
devido a entrada de prótons que vem do citoplasma. Essa acidez
ativa as enzimas hidrolíticas que vão despedaçar
o antígeno. Se o antígeno for uma bactéria, a morte
é devido a ação de radicais livres derivados do
oxigênio, como o superóxido, o peróxido de
hidrogênio ou radical hidroxila que podem oxidar a membrana da
bactéria. Dentre as enzimas hidrolíticas encontramos a
fosfatase ácida e a lisozima. Esta última quebra
a parede celular de peptidoglicano das bactérias gram positivas.
Essa degradação ocorrida dentro do fagolisossoma é
chamada de digestão intracelular. É de grande importância
que saibamos que o interferon gama é uma citocina que vai estimular
eficientemente a fusão do fagossoma com o lisossoma e é
produzido por linfóticos T helper. O INF-gama tem a função
de estimular a fagocitose através desse mecanismo e também
de estimular a expressão do MHC classe II. Obs:. O interferon
gama possui inúmeras funções em outras células,
e não exclusivamente nos macrófagos. Os aminoácidos,
açucares monossacarídeos, íons, ATP
e outras substâncias aproveitáveis saem pela membrana da
vesícula. Porém os peptídeos determinantes antigênicos
(epítopos) são levados à superfície para
se unir ao MHC classe II.Mas sobram determinados elementos sem importância
para a célula ou indigerível que irão continuar
dentro do fagolisossoma. Esta vesícula passa a se chamar de corpo
residual e pode ser eliminado da células por exocitose.
Na resposta imune específica ocorrida em macrófagos,
a vesícula com o antígeno irá sofrer a digestão
intracelular, mas na vesícula irá permanecer um grupo
de moléculas ( peptídeos) que se irão desencadear
a resposta específica. Cada peptídeo desse é
chamado de epítopo ou determinante antigênico e
normalmente é formado pela união de quatro aminoácidos.
Um antígeno possui diversos epítopos que irão ser
apresentados aos linfócitos. Esses epítopos da vesícula
serão levados a membrana do macrófago e cada um se ligará
lateralmente ao MHC-II para entrar em contato com o linfócitos
T helper. Os LTh ativados sofrem a expansão clonal de LT específicos
para cada tipo de epítopo. Irão formar também células
T específicas de memória para guardar a informação
do epítopo (para a resposta imune secundária).
O macrófago ativado ou outra célula apresentadora de
antígeno inicia a produção e a exocitose de interleucina
1 (IL-1), que vai estimular os LT helpers a aumentar o seu metabolismo
interno e produzir citocinas (interleucinas e interferon). O linfócitos
T helper em grande número irá produzir o interferon gama
que, além de ativar a fagocitose, irá ativar a expressão
do MHC-classe II nos macrófagos. O MHC (Major histocompatibility
complex) é o complexo de histocompatibilidade principal, que
irá identificar e se ligar aos mais linfócitos
T helpers (CD4).
O MHC é composto de 2 cadeias polipeptídicas (uma
pesada (beta) e uma leve (alfa)) que possuem regiões glicídicas.
Essas cadeias são expressas na membrana celular do macrófago
e de outras células apresentadoras de antígeno, com exceção
das células dendríticas dos linfonodos. Ele é expresso
na mesma hora que ela é sintetizado. A síntese do MHC
classe II é feita da seguinte forma:
O macrófago em contato com o interferon gama, irá ativar
a transcrição do gene HLA-D em RNA-mensageiro para o MHC
classe II. O RNA vai ao retículo endoplasmático (REG)
e é traduzido em polipeptídeos. Ainda no REG, as cadeias
alfa e beta são interligadas e formam o esqueleto
básico do MHC. No REG também são acrescentados
oligossacarídeos, que são convertidos a formas mais complexas
no complexo de Golgi. Quando termina a síntese do MHC, ele é
levado por transporte vesicular até a superfície da célula.
O gene HLA está presente na sua maioria no braço curto
do cromossoma 6.
O MHC-classe II é um antígeno próprio dos
macrófagos que quando expresso, irá se ligar aos
linfócitos T helpers que indicará ao SI que
o organismo está sendo atacado por antígenos invasores
(materiais estranhos). O CD4 é o receptor de MHC-classe II presente
nos LTh que faz a ligação das células T com
os macrófagos . Quando o linfócitos T helper se liga ao
macrófago ( ligação CD4-MHC2) o antígeno
ligado lateralmente ao MHC2 é apresentado pelos macrófagos
e reconhecido pelo TCR, que é um receptor presente em todos os
linfócitos T, e que desencadeia um processo de reações
químicos que resultam na ativação dos linfócitos
Thelper. Eles irão aumentar o metabolismo, e sofrer a expansão
clonal específica ,sob estímulo da IL-2, formando uma
população enorme de linfócitos T helpers específicos.
A partir daí, os linfócitos T irão desencadear
a resposta imunológica específica celular ou humoral
ou ambos dependendo do antígeno. Todo esse mecanismo está
ilustrado na figura 1.1 para ajudá-lo a ter melhor compreensão.
Fig.
1.1 - Este esquema demostra o processo da fagocitose (resposta imune
inespecífica) contra o antígeno vermelho, e os processos da digestão
intracelular. A fagocitose é opsionizada (facilitada) pelo C3b(complemento)
e IgG. Da digestão do fagolisossoma sai uma vesícula contendo peptídeos
(epítopos) que é levada a superfície do macrófago e apresentada ao linfócito
T helper-1. Cada epítopo se liga a a um LThelper, no receptor TCR, que
vai ativar o linfócito (unido ao CD3). O MHC-II se liga ao CD4. O macrófago
ativado vai liberar IL-1 (co-estimulador ) que vai ativar os LT helpers,
que vão produzir e liberar a IL-2, que estimula a expansão clonal (proliferação)
dos linfócitos juntamente com o interferon gama (IFN-gama) que vai estimular
a fagocitose e também é capaz de ativar o mecanismo de transcrição do
gene HLA-D que é o gene do MHC-classse II. Os linfócitos T citotóxicos
intensamente estimulados pelo IFN-gama e IL-2 farão a RIC (resposta
imune celular) específica. Os LTc ativos e proliferados vão reconhecer
o MHC-1 estranho presente em células rejeitadas, tumorais ou infectadas
por vírus e causar a morte (lise celular) destes.
Devemos destacar também que, existem moléculas
de adesão no macrófago que o ajuda na ligação
com os linfócitos T helpers na hora de apresentar o antígeno.
O ICAM-1 e LFA-3 são moléculas de adesão
que se ligam ao LFA-1 e CD 2 respectivamente na membrana dos linfócitos
T helpers. Esse mecanismo reforça a ligação do
CD4 com o MHC-classe II.
Os neutrófilos são células polimorfonucleares,
ou seja, com o núcleo dividido em lóbulos (3, 4 ou 5 lóbulos)
e são fagócitos profissionais. Os neutrófilos foram
descritos no capítulo de cels. do sistema
imune e merece um destaque neste capítulo referente a sua
função como fagócito.
Os neutrófilos realizam a fagocitose da mesma forma que
o macrófago, sendo também opsionisada pelo C3b do complemento
e IgG. O maior quimiotáxico (atrai) para os neutrófilos
é o componente C5a do complemento. O C5a se a liga a seu receptor
e ativa no neutrófilo um mecanismo que leva a um aumento do seu
metabolismo e hipertrofia. O neutrófilo passa a consumir mais
oxigênio e tem mais capacidade de fagocitar e de fazer digestão
intracelular. Outro quimitáxico importante é o fator quimiotáxico
dos neutrófilos liberados pelo mastócito ou basófilo
na reação anafilática.Obs: O interferom gama não
interfere nos neutrófilos.
O neutrófilos não é uma célula apresentadora
de antígenos, sendo responsável apenas pela fagocitose,
principalmente de bactérias revestidadas de anticorpos IgG ou
C3b e participa ativamente em grande número nas inflamação
agudas e é responsável 80 % para formação
do pus.
O principal mecanismo de morte celular usado na digestão
intracelular é o sistema mieloperoxidase-hialida, no qual
o neutrófilo forma radicais HOCl- que oxida intensamente as moléculas
do microorganismo fagocitado.
A presença de colagenase e fosfatases ácidas em
seus grânulos é que faz o neutrófilo ser uma célula
que forma abscessos cheios de pus nas inflamações agudas.
Quando eles morrem em combate e suas membranas se rompem, essas enzimas
vão para o meio externo, digerindo o tecido conjuntivo e formando
o abscesso onde se deposita o pus.
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