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MEDIADA POR CÉLULA
2.2 Atividade dos eosinófilos Um resposta mediada por célula contra parasitas como os helmintos (tenia, ancylostoma, ascaris...) é feito principalmente por eosinófilos. Os eosinófilos chegam ao local de ação dirigidos pelo ECF-A liberado pelos mastócitos ou basófilos ativados por vários mecanismos , sobretudo pela IgE. Os eosinófilos liberam a PBM (proteína básica maior) que intoxica os parasitas e causa a sua morte. Os antígenos liberados pelos parasitas também causam RIC específicos (mediado por linfócitos T) e RIH para produção de anticorpos principalmente IgE. Da mesma forma são produzidos IgG ou IgM contra os antígenos dos parasitas. Os mastócitos controlam a desgranulação
dos eosinófilos, sendo a heparina o inibidor e o ECF-A o estimulador
da desgranulação. Os macrófagos ativados secretam
FNT-alfa ( fator necrosante de tumor) que é uma citocina que
aumenta a ativação dos próprios macrófagos
e dos eosinófilos. 2.3 Inflamação granulomatosa e as células gigantes Inflamação crônica granulomatosa é uma forma de inflamação específica caracterizada pelo acúmulos de macrófagos modificados, células gigantes que se organizam em torno de um flogógeno (agente causador) formando granulomas. O estímulo para formação desses granulomas tem origem nos agentes etiológicos característicos, como: Mycobacterium tuberculosis; Mycobacterium leprae; treponema pallidum; Schistossoma mansoni (ovos principalente); Criptococcus neoformans; Paracoccidioides brasiliensis; Coccidioides immitis; metais inorgânicos e poeiras como silício e berílio. As doenças causadas por esses agentes são chamadas de doenças crônicas granulomatosas. Granulomas são pequenas coleções, de 0,5 a 0,2 mm de macrófagos modificados, chamados de células epitelióides, tendo origem nos monócitos que saem do sangue. Essas células tem uma maior função secretora de enzimas em vez de fagocitose, e por isso possuem o retículo endoplamático rugoso, complexo de Golgi desenvolvidos e muitas vesículas no citoplasma. Possuem esse nome por terem o aspecto morfológico parecido com células epiteliais. Na tuberculose, as enzimas liberadas pelas céls. epitelióides acabam digerindo parte do parênquima e essas células ainda criam uma barreia para a difusão de glicose e oxigênio o que acaba causando uma necrose no centro do tubérculo. Essa necrose caseosa (semelhante a queijo ) presente na tuberculose ajuda a distinguí-la das outras doenças granulomatosas. Uma importante característica dos granulomas
é a presença de um tipo especial de célula multinucleada
denominada de célula gigante, que se origina dos macrófagos
e tem grande capacidade de fagocitose e digestão intracelular.
O macrófago faz a divisão nuclear várias vezes
sem dividir o citoplasma e aumenta o tamanho da célula. Na
esquistosomosse crônica observamos ovos de Schistosoma dentro
dessas células no fígado e nas blastomicoses também
vemos os fungos dentro do citoplasma sofrendo digestão. Existem
vários padrões de células gigantes:
Fig. 1.2 - A figura superior à esquerda mostra uma cél. gigante tipo corpo estranho circundado por diversas céls. epitelióides (citoplasma branco) e na figura inferior à esquerda vemos uma cél. gigante de Langhans encontrado em doenças infecciosas e observe sua estrutra com os núcleos na periferia e um polo aglomerado. A figura inferior mostra uma área altamente acidófila (necrosada) encontrada nos tubérculos da tuberculose. Circundando essa área, vemos um aglomerado de céls. epitelióides e linfócitos T.
Com maior detalhes a respeito da ativação dos LThelpers, devemos conhecer o mecanismo molecular de ativação intrínseca do linfócito que está esquematizado na figura 1.3.
Fig. 1.3 - Este esquema demostra as reações químicas no citoplasma e no núcleo de um linfócito Th ativado. O TCR reconhece o antígeno e dispara a cascata de reações que no final geram o 1o sinal e estimula a exocitose. O receptor de IL-1 (do LTh) dispara o 2o sinal para que o 1o sinal tenha efeito. Esse efeito se resume na produção de proteínas , como as citosinas IL-2, INF-gama...). Essa IL-2 sendo autócrina estimula o receptor R-IL2 ( expresso sob influência do TCR) que vai emitir sinais para aumentar a mitose e crescimento celular (expansão clonal) . O R-IL2 está presente também em grande número nos linfócitos T citotóxicos com a mesma função.
Para o TCR ( receptor do linfócito T) ficar exposto na superfície da célula, é necessário a presença do CD3, que é formado por um conjunto de 5 polipeptídeos. Quando o TCR unido ao CD3 se combina com o antígeno, o CD3 envia sinais de ativação para o citoplasma. Esse sinal é feito através da ativação da fosforilação pelo GTP (guanosina trifosfato). O complexo TCR:CD3 ativado faz com que o GTP transfira um radical fosfato para os aminoácidos tirosina dos polipeptídeos do CD3, que estando fosforilado vai ativar a enzima fosfolipase C. Essa enzima hidroliza o PIP2 (4,5-bifosfato de fostatidil-inositol) em IP3 (trifosfato de inositol) e DAG (diacil glicerol). O IP3 estimula a liberação do cálcio das reservas intracitoplasmaticas para o citoplasma. O Ca+2 agora livre no citoplasma vai ativar várias enzimas quinases, que retiram um fosfato do ATP e põem em proteínas. As proteínas fosforiladas vão o núcleo do linfócito e ativam a transcrição do RNA mensageiro para a síntese de interleucinas, como a IL-2 p. exemplo. O DAG ativa proteína fosfoquinase C, que em presença de cálcio livre, fica ativada. A enzima fosfoquinase C (PKC) faz fosforilação de proteínas igual ao IP3. Essas fosfoproteínas vão ao núcleo e estimulam transcrição de genes. Oncogenes (genes de cresimento celular e mitose) são também estimulados à transcrição (como na expansão clonal). A PKC faz também a fosforilação de proteínas de liberação das vesículas, que vão liberar as interleucinas para o meio externo. Essas interleucinas vão estimular a RIC ou a RIH (resposta imune humoral).Todo esse mecanismo que causa ativação de genes vindo da interação TCR-CD3-epítopo é chamado de 1º sinal. A interleucina 1 é um co-estimulador. Ele estimula um segundo sinal mensageiro intracelular que é indispensável para a ativação dos LThelpers. Esse sinal ainda não esclarecido quando a sua natureza resulta na ativação da transcrição de genes para citosinas (como p.ex. a interleucina 2). Temos como conclusão que o linfócito necessita de 2 sinais para a sua ativação: o primeiro sinal vindo a interação TCR:CD3-antígeno e o segundo sinal vindo do co-estimulador IL-1. A Interleucina 2 formada é uma substância
autócrina, que age sobre o próprio linfócito
T helper que a produziu e quando liberada também age nos linfócitos
T citotóxicos. É chamada de fator de proliferação,
pois estimula a mitose. Quando o complexo TCR:CD3 é ativado
pelo antígeno ele estimula a transcrição do gene
do receptor de interleucina 2 e a expressão desse receptor
na superfície da célula. Quando a IL-2 se liga a esse
receptor, ocorre ativação de vários mensageiros
intracelulares (desconhecidos) que leva a uma maior ativação
da síntese DNA (replicação do DNA), o que propicia
a mitose aumentada. Então quando os linfócitos
entram em contato com a IL-2, ocorre a expansão clonal (ou
seja, uma proliferação de LT específicos que
vieram de um só (clone)) do LT helper que a produziu, e expansão
do LT citotóxico para a RIC. O gene para IL-2 é ativado
para transcrição sob o estímulo de proteínas
fosforiladas no citoplasma como foi descrito antes. A ciclosporina
é um imunossupressor que inibe essa ativação
da transcrição, inibindo a produção de
IL-2, o que indiretamente inibe a proliferação dos linfócitos
T helper e principalmente os LTcitotóxicos, inibindo a RIC.
O reconhecimento das células rejeitadas num enxerto pelos linfócitos T citotóxicos se faz pelo reconhecimento do MHC-classe I. O MHC-classe I é o antígeno de histocompatibilidade principal e está presente na membrana celular de quase todas as células do organismo, exceto em hemácias e plaquetas. É uma glicoproteína que possui duas cadeias , uma cadeia alfa e uma beta. A parte lateral do MHC-classe-1 possui uma estrutura espacial que se encaixa com o CD8 presente nos linfócitos T citotóxicos. O MHC possui uma seqüência de aminoácidos própria para cada indivíduo e se apresenta semelhante para todas as células do organismo. O MHC-1 da células de um indivíduo só é igual ao outro se eles forem gêmeos univitelinos. A seqüência de aminoácidos presente
nas cadeias do MHC estando alteradas na superfície da célula
é reconhecida pelo linfócito T citotóxico através
da interação com o receptor TCR e CD8. Peptídeo
de proteínas endógenas virais produzidas por uma célula
infectada será unida em cima da cadeia de aminoácidos
de MHC-1 no citoplasma e será levada à superfície
da célula. Então o MHC-1 terá na sua ponta uma
seqüência de aminoácidos estranha (inválida).
Esse MHC-1 alterado é, então, reconhecido pelo LTc.
(Veja fig.1.4).
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