RESPOSTA IMUNOLÓGICA
MEDIADA POR CÉLULA
Mecanismo de rejeição:
Quando um tecido estranho chega ao nosso
organismo, partes dele (algumas células do tecido) se desprendem
e são levados aos tecidos linfóides secundários,
como os linfonodos e/ou baço, onde as células apresentadoras
de antígenos apresentam o antígeno ao LThelper (item
anterior) .Como foi visto na figura 1.1, os linfócitos T citotóxicos
são altamente estimulados pela interleucina 2 e interferon
gama que vem dos linfócitos T helper 1 ativados. Estas
interleucinas estimulam a expansão clonal dos linfócitos
T citotóxicos e a sua ativação para o ataque
(veja ítem 3.2).
Ocorre também uma apresentação
direta do antígeno ao linfócitos T citotóxicos
através do reconhecimento do MHC-classe I estranho na superfície
das células estranhas do enxerto, através da interação
MHC-1 e TCR (figura 1.4).
Esses linfócitos T citotóxicos possuem receptores CD8
e TCR. O TCR e o CD8 próprio do LTc é capaz de reconhecer
o MHC-I que possui uma seqüência de aminoácidos
estranha que está presente nas células. Observe que
expressão desses MHC-classe I está aumentada, visto
que o IFN-gama (seu estimulante) também está aumentado.
Após o reconhecimento, ocorre lise do tecido estranho pelas
células citotóxicas. No endotélio estranho que
compõem o tecido enxertado, é expresso o MHC-classe
II, que é reconhecido pelos LT-helpers que chegam ao
local e que induzem ainda mais a resposta contra o tecido. Os
LT-helpers ativados nos tecidos linfóides e diretamente no
local (como os endotélios) podem ativar a resposta imune humoral,
que forma anticorpos antienxertos.
Esse mecanismo de rejeição ocorre da mesma forma para
células neoplásicas (tumorais), pois possuem alterações
nos seus MHC-1 ( receptores neoformados)
Fig. 1.4 - A. Esquema que demostra o mecanismo
de rejeição a uma tecido estranho e a importância do MHC-1. B. esquema
do o processo de reconhecimento do MHC-1 de uma célula infectada por
um vírus. Os peptídeos virais em vermelho são formados por ribossomos
da própria célula e se origina de RNA-mensageiro viral que esta parasitando
a célula. Veja a importância do INF-gama e da IL-2 na expansão e na
ativação dos LTc para o ataque.
RIC (Resposta Imune Celular)
contra vírus:
Na RIC que se desenvolve contra vírus
e outros, ocorre a migração destes até
os linfonodos satélites. Da mesma forma há a apresentação
do antígeno pelos macrófagos aos LT helper-1, que fazem
uma expansão clonal formando uma imensa população.
Nesta expansão, formam-se também células T de
memória que vão “guardar” dentro de si as informações
sobre o antígeno. Essas informações servem para
a resposta imune secundária, na qual o antígeno
entra em contato com o sistema pela segunda vez
e é rapidamente reconhecido (por células que memória)
e atacado (veja ítem 3.3).
Estes LTh-1 da população clonal
formam IL-2 e IFN-gama que ativam os LT-citolíticos ou citotóxicos,
que vão aumentar o nível da expansão clonal deles
e elevar o seu metabolismo interno.
Mas o que ocorre numa infecção por vírus,
além da apresentação do antígeno aos LT-helpers,
é a apresentação direta aos LTc que chegam até
as células infectadas. Essas células ,que possuem o
vírus se multiplicando no seu interior, vão manifestar
peptídeos virais em cima da seqüência de aminoácidos
do MHC-classe 1 (fig.1.4). Esse processo ocorre na hora de sintetizar
o MHC-1. Quando a vesícula exocítica contendo
as cadeias do MHC-1 recém traduzidas no retículo endoplasmático
rugoso estão a caminho da superfície, ocorre uma fusão
com uma vesícula contendo peptídeos virais intrínsecos
da célula. Então, o MHC-1 chega na superfície
contendo esses antígenos virais unidas à sua cadeia
de aminoácidos. O receptor CD8 dos LTc se encaixo na MHC-1
lateralmente e o TCR dos LTc reconhece a cadeia estranha e ativa o
ataque à célula (ítem 3.2).
Há dois modos de LTc atacarem os vírus:
1- Destruindo as células hospedeiras infectadas, que
são fontes das partículas virais replicadas;
2- Liberando de grande quantidade de interferon gama, que embora
seja uma molécula reguladora, é também um importante
antiviral, pois induz a célula hospedeira a produzir uma proteína
antiviral protetora que impede a formação de proteínas
virais.
É importante que saibamos que uma célula do nosso
organismo que contenha antígenos capsulares de vírus
na sua membrana plasmática (como o gp120 do vírus HIV)
é reconhecida por linfócitos T citotóxicos ativados,
que destróem não só o vírus, mas destroém
a célula toda através da liberação de
substâncias citolíticas.
RIC (Resposta
Imune Celular) contra fungos ou bactérias:
Um infeção por fungos, micobactérias
não ocorre diretamente pelo reconhecimento dos linfócitos
T citotóxicos, mas sim pela extrema participação
dos linfócitos T helpers-1 que, como foi explicado anteriormente,
fazem o reconhecimento nas células apres. de ant. e liberam
citocinas estimuladoras de LTc. Nos aidéticos, há um
défict de LT-helper, e infecções por fungos ocorre
frequentemente e de forma mais grave.
Devemos nos lembrar que: com a ativação dos LTh-1
ocorre também a estimulação para a formação
de uma clone de células de memórita LTm específicos
para o antígeno que vai permanecer sempre no organismo e se
manifestar nu
ma resposta imune secundária.
3.2 - Mecanismo de desenvolvimento e
de lise celular dos LTc
No timo, formam se linfócitos T que
não são ainda capazes realizar a resposta imune. Os
LTc que saem no timo apenas são capazes de reconhecer o antígeno
ligado ao MHC-classe 1 ou MHC estranho exposto na célula-alvo.
A capacidade de lise celular (ativação) dos LTc
é feita pelo contato dos LTc que sairam do timo e o MHC-1 estranho,
e por citocinas como IL-2 e interferon gama (e Il-6) liberadas pelos
LTh-1 que foram ativados. Quando essas citocinas atingem os LTc ligados
ao MHC-1 estranho, vão ativar a diferenciação
completa destas células em células capazes de lisar
a célula-alvo.
O mecanismo de lise é antígeno específica
para o MHC-1 estranho e se baseia na liberação de enzimas
que formam poros na
Fig. 1.5 - Esse esquema demostra o ativação para
o ataque que ocorre no linfócito T citotóxico. Para a sua ativação,
são necessários dois sinais, um vindo da interação MHC-1:TCR-CD3 e
o outro pela IL-2 e INF-gama liberado pelos LTh. O mecanismo intrínseco
de ativação é igual ao LTh (fig.1.3), visando nesse caso a liberação
de perforina e da toxina celular. Os LTc que saem do timo vão aos
tecidos linf. secundários (linfonodos...) onde encontram células alvo
que foram carreadas pela linfa. O LTc reconhece e ataca a célula.
Os LTc podem sair dos linfonodos e ir para o tecido da onde originou
a célula estranha. Nesse tecido haverá o ataque as células alvo, da
mesma forma que nos tecidos linfóides secundários.
membrana plasmática das células-alvo e
as mata por osmose e também pela indução da apoptose
( veja figura 1.5).
Este processo pode ser dividido em etapas:
Etapa 1 : Reconhecimento do antígeno. É
a ligação do LTc formado no timo com o MHC-1 estranho
e formação do complexo MHC(antígeno)-TCR-CD3.
Etapa 2 : Ativação do LTc. Após o reconhecimento
e o contato com as citocinas (INF-gama e Il-2) ocorre a ativação
intrínseca do linfócitos mediado pelo CD3 da mesma forma
que nos LTh (fig. 1.3.), porém não visa a apenas a produção
de citocinas , mas principalmente e a produção de enzimas
hidrolíticas e a fosforilação de proteínas
de liberação de grânulos lisossômicos por
exocitose. O INF-gama é a única citocina importante
produzida pelos LTc ativados numa infecção viral.
Etapa 3 : Golpe letal : Com liberação de enzimas
como a perforina, ocorre a formação de poros na membrana
da célula-alvo. A toxina celular é também liberada.
Etapa 4 : Desligamento do LTc : O LTc se desliga da célula-alvo
e se afasta.
Etapa 5 : Morte : A célula alvo contendo poros em sua
membrana vai sofrer tumefação osmótica seguido
de lise celular e morte. Há também outras substâncias
liberadas ou não pelos grânulos como a toxina celular.
Essa toxina entra na célula-alvo e ativa enzima da apoptose
(morte programa da célula) como a endonuclease, que vai clivar
o DNA da célula e fazer rápida condensação
da cromatina nuclear.
3.3 - Hipersensibilidade do tipo retardado
A hipersensibilidade do tipo retardado é
um forma de resposta mediada por células, em que a célula
efetora final é o fagócito-mononuclear (macrófago)
ativado. Este tipo de imunidade celular é o mecanismo de defesa
primário contra as bactérias intracelulares, como Listeria
monocytogenes, micobactérias e Leishmania sp. Essa
reação pode ser demonstrada pelo teste intradérmico
feito por injeção de antígenos em indivíduo
com infecção prévia ou em indivíduos sensibilizados
por agentes químicos ou ambientais.
Como resultado dessa reação, ocorre uma inflamação
no local com formação de granuloma e a resolução
é mediada pelos macrófagos.
Etapas da Hipersensibilidade retardada:
Etapa de sensibilização do indivíduo:
A primeira etapa é uma fase congnitiva, no qual o indivíduo
entra em contato pela primeira vez com o antígeno e se torna
sensibilizado.
Consiste na fagocitose do antígeno pelo macrófago
e a apresentação do antígeno ao LTh-1. A maioria
dessa apresentação ocorre nos linfonodos, onde os macrófagos
contendo os antígeno chegam até os nodos e os apresentam
aos LTh-1. Essas células apres. de ant. produzem IL-1, que
junto com o antígeno apresentado vão promover a ativação
dos LTh-1 que vão formar IL-2. A IL-2 formada induz a formação
de clones de LTh-1 específicos e LT de memória específicos
(LTm). Os LTh-1 ativam a resposta imune celular contra o antígeno
no local da infecção, através da secração
citocinas, até a sua resolução.
A partir daí o indivíduo está sensibilizado
pelo resto da vida, devido a permanência dos LTm.
Etapa de ativação da reação
de hipersensibilidade retardada :
Quando o indivíduo entra em contato pela
segunda vez com o antígeno, estando ele sensibilizado, irá
se desenvolver a reação de hipersensibilidade retardada.
Células de Langerhans da pele (ou outra CAA) que
permanecem no local de sensibilização entram em
contato com produtos bacterianos, como o LPS de gram negativas, parede
celular de micobactérias e outros. Este contato faz com que
essas células liberem muita IL-1 e FNT que vão recrutar
linfócitos para o local. Os Linfócitos de memória
que chegam, são apresentados as antígenos pelos macrófagos.
A população LT de memória já existente
no indivíduo se torna ativada e começa produzir citocinas
como a IL-2, INF-gama e TNF que caracterizam a inflamação.
As células endoteliais das vênulas também
tem a capacidade de apresentar os antígenos aos LT de memória
que cheguem ao local, através da expressão do MHC-classe
II. Elas também secretam interferon alfa (INF-alfa) e prostaciclina
Etapa da inflamação:efeito das citocinas
As citocinas realizam os efeitos que caracterizam
a reação de hipersensibilidade retardada:
A IL-2 - Induz a proliferação dos LT de memória
específicos e de LT não específicos que chegam
ao local.
O INF-gama ativa a fagocitose nas células apre. de ant.
(macrófagos) e aumenta a expressão do MHC-classe II
ampliando a apresentação do antígeno.
TNF estimula as células endoteliais das vênulas
a expressarem o receptor de leucócito ICAM-1 que é molécula
de adesão para neutrófilos e linfócitos. Essa
adesão potencializa o processo de inflamação.
O TNF também potencializa a síntese de prostaciclina
pelo endotélio, que é uma prostaglandina vasodilatadora.
Com isso ocorre uma hiperemia no local. O TNF também é
capaz de estimular o endotélio a mudar a conformação
da sua membrana basal, permitindo que macromoléculas do sangue
extravazem para o tecido. O fibrinogênio que extravaza é
a base da enduração presente nos testes intradérmicos.
Etapa final: Resolução da reação
Como foi dito no início deste ítem,
os macrófagos são responsáveis pela resolução
da reação.
Os monócitos vindos do sangue chegam ao tecido e se diferenciam
em macrófagos. Ele é responsável pela fagocitose
de bactérias e outros microorganismos ou outros antígenos.
O INF-gama é o principal ativador de macrófagos,
estimulando-os a fagocitose, a síntese de receptor FCgamaR
(de IgG para opsionização).
A ativação completa do macrófago é
feita por produtos bacterianos como LPS ou parede celular das bactérias
que agem junto com o INF-gama. Os macrófagos ativados secretam
diversas substâncias que vão realizar funções
diversas:
- Prostaglandinas e leucotrienos (mediadores da inflamação);
- IL-1 (ativador de linfócitos e fator de proliferação
de macrófagos), responsável pela febre e potencializa
a inflamação, pois ativa a via ciclo-oxigenase na síntese
de prostaglandinas.
- TNF (ampliador da atividade linfocítica)
- GM-CSF (estimulador de colônias) - veja capítulo
1
- PAF (Fator de crescimento derivado de plaquetas). Estimula
o crescimento e proliferação de fibroblastos. É
responsável também à angiogênese, pois
estimula a migração e proliferação de
células endoteliais.
-TGF-beta (fator de crescimento transformador-beta). Este fator
junto com o PAF é de suma importância para a formação
de tecido conjuntivo no local inflamado. Ele ativa formação
de colágeno pelos fibroblastos. Por isso na inflamação
crônica, com a persistente secreção de TGF-beta
e PAF, forma-se fibrose como resultado de resolução
feita pelo macrófago.
Testes intradérmicos Tipo PPD
PPD é um tipo de teste no qual é
injetado um antígeno intradermicamente no indivíduo
para detectar a sensibilidade daquele paciente ao antígeno,
ou seja , testa a sua capacidade de resposta imune celular a partir
dos LT de memória observando na pele uma enduração
(granuloma). A presença dessa enduração e o seu
tamanho vão indicar o nível de sensibilidade.
O antígeno do PPD é um Derivado Proteico Purificado
, obtido de um caldo de cultura onde cresceram Mycobacterium
tuberculosis, aquecido, filtrado e diluído.
A injeção intradérmica (de 0,1 mL) é
feita na face ventral do antebraço dentro da derme . Aparecerá
uma resposta imune de hipersensibilidade tardia na pele de indivíduos
que já tiveram contato com o bacilo de Kock. Esse contato é
feito de várias formas, como a vacina BCG ou contato com o
bacilo (pessoas que já tiveram tuberculose), no qual o indivíduo
desenvolveu uma sensibilização do seu sistema imune
e formou LT de memória. Pessoas que estão com tuberculose
dão uma reação tão forte que chega a necrosar
a região do braço aplicada com a injeção.
Veja figura 1.6
Fig. 1.6 - Este esquema ilustra o
principal mecanismo imunológico que ocorre numa reação de hipersensibilidade
como o PPD. Com a inoculação do antígeno, estando o indivíduo sensibilizado
(com LTm formados), o macrófago é e as células endoteliais das vênulas
apresentam o antígeno aos LTm, que vão se ativar e secretar ativamente
as citocinas, entre ais quais estão o TNF, INF-gama e IL-2. O TNF
altera a membrana basal do endotélio, deixando estravazar proteínas
(fibrinogênio) para tecido e também estimula a síntese de PGE2 na
vênula. A PGE2 é um vasodilatador, fazendo elevar o fluxo sangüíneo
no local. O INF-gama ativa macrófagos e a IL-2 estimula a proliferação
dos LTm específicos existentes. O macrófago ativado produz IL-1 e
mais TNF, que juntos, atraem mais linfócitos ao local.
Cerca de 4 horas após e injeção, neutrófilos
se acumulam na vênulas no local de injeção e algumas
horas depois esse infiltrado desaparece. 12 horas após a injeção,
monócitos chegam ao local e viram macrófagos,
que começam a apresetação do antígeno
aos LTm. Inicia-se a ativação violenta de LTm que vão
recrutar grande população de linfócitos até
o local. Essas células se localizam ao redor das vênulas
da derme e iniciam a inflamação local através
da secreção de citocinas (descrita anteriormente). O
fibrinogênio escapa dos vasos (por ação do TNF)
e na derme é convertido à fibrina. A fibrina em grande
quantidade, unida às células (monócitos, macrófagos,
linfócitos, células de Langehans...) na derme
em volta das vênulas dão o aspecto intumescido (endurado)
na região do braço. Esse aspecto só aparece por
volta de 18 horas após a injeção, sendo máxima
por volta de 12-24 horas (esse intervalo até apacer o endurescimento
que dá o nome a reação-retardada). Macrófagos
em grande número vão resolver a reação
que o braço volte o que era antes.
A interpretação clínica do endurado é
feito da seguinte forma :
- Ausente ou até 4 mm - NÃO REATOR. Não
apresenta proteção, ou seja, não tem LTm contra
antígenos do bacilo.
- 5 a 7mm - REATOR FRACO. Proteção contra tuberculose,
ou seja , existe LTm formados que confere ao indivíduo uma
boa resposta imune secundária se ele tiver contato outra vez
com o bacilo. Com certeza, ou indivíduo foi vacinado com BCG
ou já teve alguma forma de tuberculose.
- 8mm ou necrose - REATOR FORTE. Suspeita-se de infecção
ativa da tuberculose, pois a reação é extremamente
forte, o indivíduo deve estar com uma população
de linfócitos T ativos, levando até a uma necrose na
região do braço.
Pacientes que estão com tuberculose comprovada
e são anérgicos, ou seja, não reatores no teste
PPD, possuem alguma deficiência de linfócitos T (ou até
AIDS grave) ou estão tomando alguma droga imunossupressora.
Esses pacientes estão em situação mais grave,
e a doença pode evoluir rapidamente e até levar a morte.
Há vários outros agentes infecciosos, como os
fungos, que se faz o teste tipo PPD usando o antígeno extraído
da cultura do fungo.Ex:
Coccidioides immitis - Coiccidiodina é
o antígeno extraído de cultura. A enduração
aparece na pele em 24-48 horas após a aplicação.
Se o resultado for negativo, tem duas opcões: ou a suspeita
está errada, ou a doença está na forma disseminada.
15% dos pacientes apresentam eritrema nodoso na pele por hipersensibilidade
tardia sem a inoculação do antígeno. Isso ocorre
porque antígenos do fungo atingem a derme por via hematogênica
e ativam a reação. Estando o paciente com baixa resposta
imune celular (anergia) e infectado com o fungo, haverá uma
intensa proliferação desse agente no organismo (septicemia)
incluindo derrame plueral, pneumonia etc. , podendo até levar
à morte.
Histoplasma capsulatum - o teste é feito com histoplasmina
extraído da cultura. Sendo negativo, há possibilidade
de disseminação (baixa RIC) para o baço, fígado,
nariz, boca, intestino.
Blastomyces dermatidis - antígeno blastomicina. O teste
PPD é positivo em 50% dos casos devido a baixa especificidade
do teste.
Paracoccidioides brasiliensis - antígeno paracocidioidina,
sendo positivo na maioria dos pacientes com paracoccidioidomicose.
O resultado negativo leva a hipótese de disseminação
para o baço, fígado, mucosas e pele, formando granulomas
(inflamação crônica) nesses locais.
Na Hanseníase ("lepra") também
é feito teste intradérmico de forma semelhante ao PPD,
entretanto o antígeno é de Micobacterium leprae. Esse
antígeno é denominado de antígeno Mitsuda. Como
não há ainda um modo de cultivar essas bactérias
em meio de cultura, o Mitsuda é obtido de lepromas fervidos,
homogeinizados em solução salina durante 60 minutos,
centrifugado em Milipore e adicionado fenol a 0,5%.
O teste é realizado injetando-se 0,1 mL do antígeno
na face ventral do antebraço e a leitura da reação
é feita após 21 dias.
Com esse teste é possível saber se o paciente
tem a forma tuberculóide, wirchoviana ou negativa.
Na forma tuberculóide detectamos a enduração
no braço, pois o indivíduo tem boa resposta imune celular.
Explicaremos a seguir o motivo pelo qual isso ocorre:
Na forma tuberculóide, o paciente possui uma
forma de resistência, que é devido a sua população
de LTh-1ou LTh-1 de memória produzindo interferon gama
e interleucina 2 que, como vimos anteriormente, inicia a reação
imune celular . Com a RIC, esse paciente consegue freiar o desenvolvimento
da população de bacilos, pois os macrófagos ativados
vão fagocitá-los. Então haverá o endurescimento
na pele por ativação dos LTh-1.
Na forma lepromatosa ou wirchoviana, o paciente não
tem resistência, que é devido a sua população
de LTh-2, que como vimos antes, produz IL-4 e IL-10. A IL-4 inibe
o interferon gama e a IL-10 inibe a expansão clonal dos LTh-1
e LTh-1m. Então não ocorre nem o início da RIC
e o indívíduo fica sem resposta, havendo proliferação
de bacilos dentro dos macrófagos, sendo estes incapazes de
realizar a digestão intracelular pela ausência de INF-gama.
Por isso a reação de Mitsuda é negativa (sem
reação).
A reação pode esta ausente em pessoas que não
tem a doença, e não formou linfócitos específicos
contra o bacilo.